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Henrique Avancini

13/12/2007

Entrevista Henrique Avancini – balanço de 2007

Conversamos por e-mail com a jovem revelação do MTB XC brasileiro no final de 2007 e pedimos a ele uma avaliação do que passou em 2007, das expectativas no começo do ano, passando pelo Mundial de MTB e final do ano.

Freeride Sport - 1) - Pelo que sabemos você encerrou o ano de 2006 muito bem visto pelos bikers que vivem as competições no Brasil. A expectativa de todos sobre o seu futuro, para 2007 e mais além era grande. Frente à expectativa gerada ao final de 2006 e o que aconteceu em 2007, o que você pode traçar de paralelo?

Henrique Avancini - Sem duvida, 2006 foi um ano especial para mim. Principalmente pela conquista do Pan-americano e a boa performance no mundial da Nova Zelândia. Isso gerou, dentro do meio, uma expectativa muito grande de todos para 2007, inclusive para mim. Acho que 2007 foi um ano de "poucas" vitórias, mas de muito aprendizado, e se eu quero ser realmente bom no futuro, não posso me preocupar somente com o presente e sim projetar o futuro. Por isso acho que foi um ano bem produtivo e acrescentador para minha carreira.


Freeride Sport - 2) - No primeiro semestre de 2007 você pedalou muito, para dizer o mínimo. Foram bons resultados, muitos treinos e muita competição, tanto de MTB como de Speed, tanto no Brasil como fora. O que isto gerou de desgaste físico e qual foi a experiência principal advinda destas participações?

Henrique Avancini - No começo do ano resolvi que "sacrificaria" minha temporada. Iria correr na elite e não me importava com resultados e sim em como eu estava andando.
Eu estava crescendo a cada treino, a cada prova, estava chegando em um nível que não imaginava que podia alcançar. Então veio a oportunidade de participar do Campeonato Mundial de ciclismo de estrada no México. Até então tudo ótimo. Dias antes de eu embarcar para o México, sofri uma colisão frontal com um veículo enquanto eu treinava. Passei 4 dias internado sob observação, tive minha bicicleta destruída e algumas luxações e escoriações pelo corpo. Saí do hospital e fui para o México 3 dias depois. Foi um mês de competições e treinos em altas altitudes. Eu estava muito, mas muito contente com a progressão que eu estava tendo. Estava no caminho certo para uma performance excelente na Escócia. Mas um dia antes da prova do Mundial de Estrada, sofri uma queda a 70km/h e fiquei com o corpo inteiramente ralado. No dia seguinte competi na prova de contra-relógio e terminei na 36º posição. A prova de estrada aconteceria 3 dias depois. Ainda estava debilitado, mas corri e corri bem... Apesar de terminar na 59º posição, saí em várias fugas e no final tive câimbras... Mas sabia que mesmo com o tombo eu tinha andado forte a nível mundial e que se tivesse sido mais cauteloso e paciente poderia ter feito um resultado muito bom, mesmo com a queda sofrida. Apesar de muitos falarem que a ida ao México desfocalizou meus treinos, foi uma experiência única e que acrescentou muito para minha carreira. E que eu faria novamente.


Freeride Sport - 3) - Em 2007 o ponto máximo da sua preparação era a participação no Mundial na Escócia, em setembro. Apesar das expectativas geradas pela sua excelente participação em 2006, em 2007 você enfrentou algumas dificuldades e não conseguiu o resultado que esperava. Poderia comentar sobre a sua participação neste Mundial, agora que já se passaram três meses e há um distanciamento maior para uma análise.

Henrique Avancini - Esse ano o meu único objetivo era o Mundial de MTB XC. Mas muitas foram as pedras no meu caminho. Assim que cheguei do México recebi a noticia que a CBC não enviaria mais nenhum atleta para o Mundial de MTB. Isso faltando 3 semanas para a prova. Ainda estava sofrendo com os efeitos da queda do México e tive que correr atrás de toda a estrutura para ir para o Mundial. Graças ao meu patrocinador ( FUJI ), que arcou com toda as despesas da custosa viagem o mundial não foi por água abaixo. Viajei sozinho e fiquei sozinho lá. A pista era longe da cidade e só para ir treinar no circuito já era muito desgastante. Quando voltei do México errei no meu treinamento, forcei mais do que deveria nos treinos. Com o acidente e a queda, os problemas da viagem... eu comecei a ter uma queda brusca de rendimento. Algo que nunca tinha acontecido comigo. Resultado: minha pior prova do ano foi justamente no Mundial. Cheguei a 5 minutos do líder e tenho certeza que se eu pedalasse o que vinha pedalando nas provas do primeiro semestre, eu tenho certeza e afirmo com toda franqueza que hoje eu seria o campeão mundial junior!


Freeride Sport - 4) - No geral, 2007 foi um ano positivo, apesar de alguns resultados não forem o que você esperava?

Henrique Avancini - Sim, aprendi muito, aprendi da maneira difícil. Eu estava forte, mais do que nunca. Mas não tive os resultados que esperava.
Eu sou uma pessoa que acredita e confia em Deus, e acho que tudo na vida tem um propósito, portanto acho que 2007 foi uma lição de vida para mim. Aprendi que o esporte tem o lado triste, que campeão é aquele que passa pelos momentos difíceis e depois ergue a cabeça e segue na luta... O que pra muitos seria desanimador, hoje, eu tenho certeza de que me tornou mais forte!

Freeride Sport - 5) - 2008. Quais são seus planos e expectativas?

Henrique Avancini - 2008 é ano olímpico, vou continuar fazendo o meu trabalho com prazer e seriedade. É um sonho participar dos jogos olímpicos e apesar de ser muito novo ainda eu pretendo dar trabalho aos favoritos na briga pela vaga olímpica.

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